Cooperar em vez de competir

Sou assumidamente uma psicóloga de contextos. Preciso de observar as situações, as crianças, as reações, os adultos e as brincadeiras. Preciso disto não só para compreender e intervir, mas também para refletir.
Hoje estive no parque com o grupo do 1º ciclo e entre muitas coisas fiquei a refletir em frases que foram ditas vezes sem conta:
- "Primeiro sou eu."
-  "Vamos ganhar o jogo!"
- "Chega-te para lá para a J. não passar à frente."
- "Vou acabar este desenho antes de ti."
- "Sou a melhor a fazer o pino."

Tudo isto queria dizer uma só palavra: COMPETIÇÃO. Competição pura e dura, que impediu as crianças de se interajudarem, de desenvolverem empatia, de trabalharem em equipa, de aprenderem a negociar. E aqui todos temos de assumir Mea Culpa! O "vou chegar primeiro ao banho", "vou-te ganhar a comer a sopa", "assim vais ser o último a chegar à sala" saiu muitas vezes das nossas bocas.
Para ensinarmos às nossas crianças o valor e o divertimento da cooperação, em vez da competição, talvez possamos modificar alguns jogos do seu quotidiano. Por exemplo, todos conhecemos o jogo das cadeiras, certo? Oito crianças dançam à volta de sete cadeiras, quando paramos a música quem não tem cadeira para se sentar é excluído. E assim sucessivamente até restarem só duas pessoas e uma cadeira. Lindo! Isto faz-me lembrar o filme Jogos da Fome só que para quem gosta de estar sentado.
O que estamos a ensinar neste jogo? É necessário lutar por recursos escassos - vemos mesmo crianças a atropelarem-se nesta brincadeira! Mas e se o transformarmos num jogo cooperativo? Mantém-se a ideia das oito crianças e as sete cadeiras, só que quando a música pára sentamo-nos todos - quem não tem uma cadeira para si tem de se sentar no colo de um amigo ou de partilhar uma cadeira com alguém. Perfeito! Agora tiramos uma cadeira e não sai do jogo nenhuma criança. Todos participam! No final todas as crianças têm de se tentar sentar na mesma cadeira. E aqui está: em vez de as ensinarmos a competir, ensinamo-las a cooperar!
Outra ideia: nas partidas de futebol sempre que uma criança marcar um golo passa automaticamente para a equipa contrária. A mensagem é simples: se alguém está a perder temos de partilhar os nossos melhores recursos, para ajudar quem está ao nosso lado! Inicialmente o grupo vai revirar os olhos a esta nova regra, mas quando tiverem o melhor jogador da turma ou o pai a jogar na sua equipa vão adorar as novas regras do jogo! Cooperar traz mais justiça e maior felicidade!



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